Google+ Maria à Luz dos Escritos Patrísticos ! Nos primeiros séculos ~ APOLOGÉTICA DA FÉ CATÓLICA
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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Maria à Luz dos Escritos Patrísticos ! Nos primeiros séculos

 
Através dos primeiros escritos históricos - os quais são chamados Patrísticos -, percebemos como os cristãos foram compreendendo e aprofundando os numerosos títulos encontrados no Evangelho:

- "Cheia de Graça" (Lucam I,28)
- "Serva do Senhor" (Lucam I,38)
- "Mãe do meu Senhor" (Lucam I,43)
- "Bem-aventurada me chamarão todas as gerações" (Lucam I,48)

Maria à Luz dos Escritos Patrísticos!
 

1. Santo Inácio de Antioquia - ano 107

"Nosso Deus, Jesus Cristo, tomou carne no seio de Maria segundo o plano de Deus... Permaneceu oculta ao príncipe deste mundo (Ioannem XII,31. XIV,30) a virgindade de Maria e seu parto, como igualmente a morte do Senhor: três mistérios de grande alcance, que se processaram no silêncio de Deus" (Inácio aos Efésios 18 e 19).

"... de Jesus, da descendência de Davi, Filho de Maria, o qual nasceu de fato, comeu e bebeu" (Inácio aos Tralianos 9).
 

2. São Justino Mártir - ano 155

"Fez-se homem, por meio da Virgem, a fim de que o caminho que deu origem à desobediência instigada pela serpente, fosse também o caminho que destruiu a desobediência. Eva era virgem e incorrupta, concebendo a palavra da serpente, gerou a desobediência e a morte. A Virgem Maria, porém, concebeu fé e alegria, quando o anjo Gabriel lhe anunciou a Boa-Nova de que o Espírito do Senhor viria sobre ela, a Força do Altíssimo a cobriria com sua sombra, de modo que o Santo que dela nasceria, seria o Filho de Deus. Então respondeu ela: 'Faça-se em mim, segundo a tua palavra'. Da Virgem, portanto, nasceu Jesus, de quem falam as Escrituras... Aquele por quem Deus destrói a serpente" (Diálogo com Trifão 100,4-5).
 

3. O Protoevangelho de Tiago - ano 170

É um texto apócrifo, redigido em grego. A antiguidade do texto lhe confere autoridade, embora esteja redigido de maneira fantasiosa, como acontece em toda literatura apócrifa.
Por apócrifos, a Igreja Católica sempre considerou os escritos que foram considerados como fantasiosos pelos primeiros cristãos e não aceitos como inspirados, pelos Concílios Ecumênicos dos primeiros séculos.


Mas apesar deste escrito ser considerado apócrifo, a Igreja acolheu duas referências:

- Os nomes dos pais de Maria, Ana e Joaquim, celebrados aos 26 de julho na Liturgia;

- A Apresentação de Maria no Templo (conforme o costume judeu de educar as meninas no Templo), festejada a 21 de novembro.
 

4. Santo Irineu - ano 185

"Da mesma forma que aquela (Eva) foi seduzida por desobedecer a Deus, esta (Maria) foi persuadida a obedecer a Deus por ser ela, a Virgem Maria, a advogada de Eva. Assim o gênero humano,

submetido à morte por uma Virgem, tornando-se contra-balançada a desobediência de uma virgem pela obediência de outra" (Contra as Heresias liv. 5, cap. 19)

"Por conseguinte,... encontra-se Maria, Virgem obediente... Eva, ainda virgem, fez-se desobediente e tornou-se para si e para todo o gênero causa de morte. Maria, Virgem obediente, tornou-se para si e para todo o gênero humano causa de Salvação... A partir de Maria até Eva, retoma-se o mesmo círculo (= a recirculação). Não existe outro modo de desatar o nó a não ser fazendo com que os fios da corda onde se deu o nó, percorram o sentido contrário... Eis porque Lucas inicia a genealogia de Jesus começando pelo Senhor e indo até Adão (Lucam III,23-38), evidenciando que o verdadeiro movimento da geração não procede dos antepassados até Cristo, mas vai de Cristo a eles segundo... o Evangelho da vida.

Assim é que a desobediência de Eva foi resgatada pela obediência de Maria; com efeito, o nó que a virgem Eva atou com a incredulidade, Maria o desatou com a Fé" (Contra as Heresias 3,22).
 

5. Tertuliano - ano 205

É um dos primeiros escritores de língua latina. Ele, várias vezes, afirma a concepção virginal de Cristo no seio de Maria:

"A norma de Fé é absolutamente uma só, imutável, irreformável: Crer em um só Deus Todo-Poderoso, Criador do mundo, e em Jesus Cristo, Seu Filho nascido da Virgem Maria" (Do Véu das Virgens, 1).

"Antes de tudo, será preciso apontar o motivo pelo qual o Filho de Deus devia nascer de uma virgem: devia nascer de um modo novo, o iniciador de um novo nascimento, acerca do qual o Senhor havia dado um sinal anunciado de antemão por Isaías. Qual é este sinal? A virgem conceberá e dará à luz um filho (Isaiae VII,14). Concebeu, pois, a Virgem e deu à luz ao Emanuel, que significa Deus-conosco" (Da Carne de Cristo 17,2).
 

6. Santo Efrém "o Sírio" - ano 360-370

Em honra de Maria compôs muitos e muitos versos até hoje conservados, ele que é a voz mais representativa e autorizada da Igreja siríaca antiga. Suas expressõesm são magníficas a respeito de Nossa Senhora. Poeta de grande inspiração, tem um profundo amor por Maria.

"O anjo Gabriel foi enviado a Maria para preparar uma morada para seu Senhor. Nela a raça dos homens vis e insignificantes se uniu com a raça divina que está acima de todas as paixões... Pela prole de Maria tem sido abençoada aquela mãe que foi amaldiçoada em seus filhos (Genesis III,16), trazendo bênçãos, as mais profundas, a esta mulher, cuja prole destruiu a morte e a Satanás. E no seio de Maria se fez criança, Aquele que é igual a Seu Pai desde a eternidade; comunicou-nos Sua grandeza e assumiu nossa pequenez: conosco se fez mortal e nos infundiu Sua Vida a fim de livrar-nos da morte... Maria é o jardim ao qual desceu, do Pai, a chuva de bênção. Esta aspersão chegou até o rosto de Adão: assim Este recobrou a vida e se levantou do sepulcro, já que por seus inimigos tinha sido sepultado no Sheol" (Carmina Soguita, 1)
 

7. Santo Atanásio - ano 360-370

Acompanhou o Concílio de Nicéia (325) e foi um dos que defendeu o dogma de Theotokos, onde Maria não é apenas a Mãe de Jesus, mas é também considerada a Mãe de Deus. A maternidade divina e virginal de Maria é inteiramente real, e não aparente, pois o Cristo assumiu dela a verdadeira natureza humana. Além disso, considera a virgindade de Maria como sendo perpétua. Eis algumas de suas afirmações:

"Se Ele houvesse querido somente ser aparente, teria podido assumir um corpo mais excelente, mas, em realidade tomou um Corpo como o nosso, mesmo que de uma maneira não usual e corrente, pois o Seu Corpo é um Corpo puro e não fruto de uma união marital. Ele assumiu (nossa humanidade) de uma Virgem inviolada, pura e que não conheceu varão. Com efeito, sendo Ele poderoso e criador de todas as coisas, edificou para Si, na Virgem, um templo, ou seja, Seu próprio Corpo" (Discurso sobre a Encarnação do Verbo)

"Como o Corpo do Senhor foi colocado a sós no sepulcro, para que pudesse demonstrar Sua Ressurreição, talvez, foi por um motivo semelhante que Seu Corpo proveio de Maria, como Filho único, para que crêssemos em Sua origem divina" (Tratado da Virgindade, 2)
 

8. São Gregório de Nissa - ano 379-380

Foi São Gregório que nos deixou historicamente documentada a primeira aparição da Virgem Maria. Ele o fez ao escrever a vida de São Gregório Taumaturgo. Ele narra que numa noite o Santo estava meditando acerca de algumas questões difíceis relativas à Fé e que não podia conciliar o sono. Apareceu-lhe então um personagem ancião e de aspecto venerável, revestido com roupas próprias de uma sagrada dignidade, como lemos:

"Então o outro estendeu a mão adiante como para mostrar algo que de improviso havia aparecido. Gregório voltou a vista na direção indicada, viu uma figura, que era uma mulher muito mais linda que qualquer pessoa humana. Novamente perturbado desviou o olhar e se sentiu cheio de perplexidade; não sabia o que pensar acerca daquela visão em que não conseguia olhar. O mais extraordinário era que, apesar de ser noite escura, brilhava diante dele uma luz ao lado da figura aparecida, como se tivesse sido acendida uma luz muito brilhante... Diz-se que Gregório escutou a mulher que enxortava ao evangelista João para explicar ao jovem (Gregório) o mistério da verdadeira Fé. São João, por sua parte, se declarou totalmente disposto a obedecer a Mãe do Senhor e disse o que desejava de todo o coração." (Vida de São Gregório Taumaturgo, p. 46, 912).

Agora examinemos a Tradição, desde os primeiros séculos:

São Tiago Menor, o qual realizou o esquema da liturgia, prescreve a seguinte leitura, após ler uns passos do antigo e do novo testamento, e de umas orações: "Fazemos memória de nossa Santíssima, Imaculada, e gloriosíssima Senhora Maria, Mãe de Deus e sempre Virgem".

O Santo Apóstolo não se limita a isso, mas torna a sua fé mais expressiva ainda. Após a consagração e umas preces, ele faz dizer ao Celebrante: "Prestemos homenagem, principalmente, a Nossa Senhora, a Santíssima, Imaculada, abençoada acima de todas as criaturas, a gloriosíssima Mãe de Deus, sempre Virgem Maria. E os cantores respondem: É verdadeiramente digno que nós vos proclamemos bem-aventurada e em toda linha irrepreensível, Mãe de Nosso Deus, mais digna que os querubins, mais digna de glória que os serafins; a vós que destes à luz o Verbo divino, sem perder a vossa integridade perfeita, nós glorificamos como Mãe de Deus" (S. jacob in Liturgia sua).

O evangelista São Marcos, na Liturgia que deixou às igrejas do Egito, serve-se de expressões semelhantes: "Lembremo-nos, sobretudo, da Santíssima, intemerata e bendita Senhora Nossa, a Mãe de Deus e sempre Virgem Maria".

Na Liturgia dos etíopes, de autor desconhecido, mas cuja composição data do primeiro século, encontramos diversas menções explícitas da Imaculada Conceição. Umas das suas orações começa nestes termos: Alegrai-vos, Rainha, verdadeiramente Imaculada, alegrai-vos, glória de nossos pais. Mais adiante, é pela intercessão da Imaculada Virgem Maria que o Sacerdote invoca a Deus em favor dos fiéis: "Pelas preces e a intercessão que faz em nosso favor Nossa Senhora, a Santa e Imaculada Virgem Maria.".

Terminamos o primeiro século com as palavras de Santo André, apóstolo, expondo a doutrina cristã ao procônsul Egeu, passagem que figura nas atas do martírio do mesmo santo, e data do primeiro século: "Tendo sido o primeiro homem formado de uma terra imaculada, era necessário que o homem perfeito nascesse de uma Virgem igualmente imaculada, para que o Filho de Deus, que antes formara o homem, reparasse a vida eterna que os homens tinham perdido" (Cartas dos Padres de Acaia).

A doutrina da Imaculada Conceição era, pois, conhecida no primeiro século e por todos admitida.

A esse respeito, nenhuma contradição se levantou na primitiva Igreja.

No século segundo, os escritos dos Santos Padres falam da Imaculada Conceição como um fato indiscutível. Entre os escritores e oradores deste século, contamos: São Jusitino, apologista e mártir; Tertuliano e Santo Irineu.

No terceiro século, existem também textos claros em defesa da Imaculada Conceição. mas em menor quantidade.

Terminemos estas citações, que podiamos prolongar por páginas afora, pela citação do argumento com que São Cirilo refutou Nestório:

"Maria Santíssima, diz o grande polemista, é Mãe de Cristo e Mãe de Deus. A carne de Cristo não foi primeiro concebida, depois animada, e enfim assumida pelo Verbo; mas no mesmo momento foi concebida e unida à alma do Verbo. Não houve, pois, intervalo de tempo entre o instante da Conceição da carne, que permitiria chamar Maria "Mãe de um homem", e a vinda da majestade divina. No mesmo instante a carne de Cristo foi concebida e unida à alma e ao Verbo".

Vê-se, através destas citações, que nenhuma dúvida, nenhuma hesitação existe sobre este ponto no espírito dos Santos Padres. É uma verdade evangélica, tradicional, universal, que todos aceitam e professam.

Santo Hipólito, bispo de Porto e mártir, escreveu em 220: "O Cristo foi concebido e tomou o seu crescimento de Maria, a Mãe de Deus toda pura". Mais além ele diz: "Como o Salvador do mundo tinha decretado salvar o gênero humano, nasceu da Imaculada Virgem Maria".

Orígenes, que viveu em 226 e pareceu resumir a doutrina e as tradições de sua época, escreveu: "Maria, a Virgem-Mãe do Filho único de Deus, é proclamada a digna Mãe deste digno Filho, a Mãe Imaculada do Santo e Imaculado, sendo ela única, como único é o seu próprio Filho."

Em um dos seus sermões sobre S. José, Origenes faz o mensageiro celeste dizer ao santo: "Este menino não precisa de Pai na terra, porque tem um pai incorruptível no céu; não precisa de Mãe no Céu, porque tem uma Mãe Imaculada e casta na terra, a Virgem Bem-aventurada, Maria".

No século quarto, aparecem inúmeros escritos sobre a Imaculada Conceição, cada vez mais explícitos e em maior número. Temos diante de nós as figuras incomparáveis de Santo Atanásio, de Santo Efrem, de S. Basílio Magno, de Santo Epifânio, e muitos outros, que constituem a plêiade gloriosa dos grandes Apóstolos do culto da Virgem Santíssima e, de modo particular, de sua Imaculada Conceição.
Nossa Senhora, a Mãe de Deus

Tal é a doutrina claramente expressa no Evangelho, e sempre seguida na Igreja Católica.

Os Santos Padres, desde os tempos Apostólicos até hoje, foram sempre unânimes a respeito desta questão; seria uma página sublime se pudéssemos reproduzir as numerosas sentenças que eles nos legaram.

Citemos pelo menos uns textos dos principais Apóstolos, tirados de suas "liturgias" e transmitidas por escritores dos primeiros séculos.

Santo André diz: "Maria é Mãe de Deus, resplandecente de tanta pureza, e radiante de tanta beleza, que, abaixo de Deus, é impossível imaginar maior, na terra ou no céu." (Santo Andreas Apost. in transitu B. V., apud Amad.).

São João diz: "Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, pois concebeu e gerou um verdadeiro Deus, deu à luz, não um simples homem como as outras mães, mas Deus unido à carne humana." (S. João Apost. Ibid).

S. Tiago: "Maria é a Santíssima, a Imaculada, a gloriosíssima Mãe de Deus" (S. Jac. in Liturgia).

S. Dionísio Areopagita: "Maria é feita Mãe de Deus, para a salvação dos infelizes." (S. Dion. in revel. S. Brigit.)

Orígenes (Sec. II) escreve: "Maria é Mãe de Deus, unigênito do Rei e criador de tudo o que existe" (Orig. Hom. I, in divers.)

Santo Atanásio diz: "Maria é Mãe de Deus, completamente intacta e impoluta." (Sto. Ath. Or. in pur. B.V.).

Santo Efrém: "Maria é Mãe de Deus sem culpa" (S. Ephre. in Thren. B.V.).

São Jerônimo: "Maria é verdadeiramente Mãe de Deus". (S. Jerôn. in Serm. Ass. B. V.).

Santo Agostinho: "Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus". (S. Agost. in orat. ad heres.).

E assim por diante.

Todos os Santos Padres rivalizaram em amor e veneração, proclamando Maria: Santa e Imaculada Mãe de Deus.

Em 1917 a Biblioteca John Ryland, de Manchester (Inglaterra) adquiriu no Egito um pequeno fragmento de papiro de 18 x 9,4 cm (Ryl. III,470), cujo conteúdo foi identificado em 1939; é o texto de uma oração dirigida a Maria Santíssima invocada como Theotókos (= Mãe de Deus) no séc. III. Quando em 431 (séc. V) o Concílio de Éfeso proclamou Maria Theotókos, fez eco a uma tradição cujo primeiro termo conhecido remonta a Orígenes (243 dC).

Sob a tua misericórdia nos refugiamos,
Mãe de Deus!

Não deixes de considerar as nossas súplicas
em nossas dificuldades.

Mas livra-nos do perigo,
única casta e bendita!
Fonte: Referências: para citações: Conferências Apologéticas (Tomo XI: Objeciones contemporaneas contra la Iglesia II) & www.tradicaoemfococomroma.com

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