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domingo, 24 de agosto de 2014

Ah o Céu como és belo - Visão de São Dom Bosco



A maioria das pessoas vivem como se depois desta vida não houvesse um lugar que as aguarda, mas cada um de nós, no anoitecer da nossa existência, receberemos a nossa recompensa de acordo com nossas obras (Mt 16,27), Céu ou Inferno. Ainda não somos tão violentos no trabalho para a nossa salvação porque não meditamos sobre o prêmio dos justos. Meditemos, pois, sobre a Nova Jerusalém e animemo-nos. "Sê fiel até a morte e te darei a coroa da vida." (Ap 2,10)

“Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia.
Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo.
Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles.
Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.
Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.
Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva.
O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.
Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte.
Então veio um dos sete Anjos que tinham as sete taças cheias dos sete últimos flagelos e disse-me: Vem, e mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.
Levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, revestida da glória de Deus. Assemelhava-se seu esplendor a uma pedra muito preciosa, tal como o jaspe cristalino.
Tinha grande e alta muralha com doze portas, guardadas por doze anjos. Nas portas estavam gravados os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.
Ao oriente havia três portas, ao setentrião três portas, ao sul três portas e ao ocidente três portas.
A muralha da cidade tinha doze fundamentos com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
Quem falava comigo trazia uma vara de ouro como medida para medir a cidade, as suas portas e a sua muralha.
A cidade formava um quadrado: o comprimento igualava à largura. Mediu a cidade com a vara: doze mil estádios. O comprimento, a largura e a altura eram iguais.
E mediu a muralha: cento e quarenta e quatro côvados, segundo a medida humana empregada pelo anjo.
O material da muralha era jaspe, e a cidade ouro puro, semelhante a puro cristal.
Os alicerces da muralha da cidade eram ornados de toda espécie de pedras preciosas: o primeiro era de jaspe, o segundo de safira, o terceiro de calcedônia, o quarto de esmeralda,
o quinto de sardônica, o sexto de cornalina, o sétimo de crisólito, o oitavo de berilo, o nono de topázio, o décimo de crisóparo, o undécimo de jacinto e o duodécimo de ametista.
Cada uma das doze portas era feita de uma só pérola e a avenida da cidade era de ouro, transparente como cristal.
Não vi nela, porém, templo algum, porque o Senhor Deus Dominador é o seu templo, assim como o Cordeiro.
A cidade não necessita de sol nem de lua para iluminar, porque a glória de Deus a ilumina, e a sua luz é o Cordeiro.
As nações andarão à sua luz, e os reis da terra levar-lhe-ão a sua opulência.
As suas portas não se fecharão diariamente, pois não haverá noite.
Levar-lhe-ão a opulência e a honra das nações.
Nela não entrará nada de profano nem ninguém que pratique abominações e mentiras, mas unicamente aqueles cujos nomes estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.
Mostrou-me então o anjo um rio de água viva resplandecente como cristal de rocha, saindo do trono de Deus e do Cordeiro.
No meio da avenida e às duas margens do rio, achava-se uma árvore da vida, que produz doze frutos, dando cada mês um fruto, servindo as folhas da árvore para curar as nações.
Não haverá aí nada de execrável, mas nela estará o trono de Deus e do Cordeiro. Seus servos lhe prestarão um culto.
Verão a sua face e o seu nome estará nas suas frontes.
Já não haverá noite, nem se precisará da luz de lâmpada ou do sol, porque o Senhor Deus a iluminará, e hão de reinar pelos séculos dos séculos.
Ele me disse: Estas palavras são fiéis e verdadeiras, e o Senhor Deus dos espíritos dos profetas enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos o que deve acontecer em breve.
Eis que venho em breve! Felizes aqueles que põem em prática as palavras da profecia deste livro.
Fui eu, João, que vi e ouvi estas coisas. Depois de as ter ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que as mostrava.
Mas ele me disse: Não faças isto! Sou um servo como tu e teus irmãos, os profetas, e aqueles que guardam as palavras deste livro. Prostra-te diante de Deus.
Disse ele ainda: Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo.
O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais.
Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras.
Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim.
Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas.
Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!
Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos atestar estas coisas a respeito das igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela radiosa da manhã.
O Espírito e a Esposa dizem: Vem! Possa aquele que ouve dizer também: Vem! Aquele que tem sede, venha! E que o homem de boa vontade receba, gratuitamente, da água da vida!
Eu declaro a todos aqueles que ouvirem as palavras da profecia deste livro: se alguém lhes ajuntar alguma coisa, Deus ajuntará sobre ele as pragas descritas neste livro;
e se alguém dele tirar qualquer coisa, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, descritas neste livro.
Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém. Vem, Senhor Jesus!”

Apocalipse 21, 1-27; 22, 1-20

VISÃO DE SÃO JOÃO BOSCO

“O Céu, na noite de 22 de Dezembro (de 1876), ficou memorável no Oratório de Dom Bosco.
A hora da oração foi um pouco antecipada.
No locutório, reuniram-se os estudantes, os artesãos e todas as pessoas da casa.
Dom Bosco tinha prometido falar no domingo anterior, mas não pudera fazê-lo.
Imagine-se a expectativa geral.
Subiu à cátedra, saudado por palmas entusiásticas, como acontecia sempre que dava, daquele modo, a "boa noite" à comunidade inteira.
Fez o sinal de que ia falar, e imediatamente fez-se completo silêncio...
Na noite em que estive em Lanzo -- iniciou D. Bosco --, chegada a hora de repousar, aconteceu-me que tive um sonho especial, que não tem nenhuma relação com sonhos normais.
São coisas muito estranhas.
Mas para os meus filhos não tenho segredos; abro-lhes inteiramente o coração.
Pensai o que quiserdes desse sonho.
Como diz S. Paulo, «quod bonum est tenete» [conservai o que é bom], se alguma coisa encontrardes nele que seja de proveito para a vossa alma, sabei aproveitar-vos disso.
Quem não quiser acreditar-me, que não acredite, pouco importa; mas que ninguém jamais zombe das coisas que vou dizer.
Peço-vos ainda que não o conteis, nem o comuniqueis por escrito, aos que não são desta casa.
Aos sonhos, pode dar-se a importância que os sonhos merecem, e os que não conhecem a nossa intimidade poderiam formar juízos erróneos, vendo as coisas de modo diferente do que são na realidade.
Não sabem eles que sois meus filhos, e que sempre vos digo tudo o que sei, e às vezes até mesmo o que não sei (risos gerais).
Mas o que um pai manifesta aos seus filhos queridos, para o bem deles, deve ficar entre o pai e os filhos, não passando adiante.
E ainda por outro motivo: É que em geral, quando se contam tais coisas por fora, ou se desfiguram os factos, ou se conta apenas uma parte deles, sendo por isso mal interpretados; de onde nasce dano, pois o mundo desprezaria o que não deve ser desprezado.
Deveis saber que, ordinariamente, temos sonhos quando dormimos.
Ora, na noite de 6 de Dezembro, enquanto eu estava no meu quarto, não me recordo bem se lendo, ou se dando voltas pelo aposento, ou se me havia já deitado, comecei a sonhar...
Logo me pareceu estar sobre uma elevação de terreno, ou numa colina, à beira duma imensa planície, cujos confins a vista não alcançava, pois perdiam-se na imensidão.
A palnície era toda azulada, como um mar calmo, embora o que eu visse não fosse água, parecendo um cristal límpido e luminoso.
Sob os meus pés, por trás de mim e de ambos os lados, via uma região à maneira dum litoral, à margem do oceano.
Largos e gigantescos caminhos dividiam aquela planície em vastíssimos jardins de indescritível beleza, todos estes repartidos em bosquezinhos, prados e canteiros de flores, de formas e cores variadas.
Nenhuma das nossas plantas pode dar-nos uma ideia daquelas, embora tenham com elas alguma semelhança.
As ervas, as flores, as árvores, as frutas, eram vistosíssimas e de belíssimo aspecto.
As folhas eram de ouro; os troncos e ramos, de diamante; correspondendo tudo o mais a tal riqueza.
Era impossível contar as diferentes espécies de plantas, e cada uma resplandecia com uma luz própria.
No meio daqueles jardins e em toda a extensão da planície, eu contemplava incontáveis edifícios de ordem, beleza, harmonia, magnificência e proporções tão extraordinárias, que para a construção de um só deles me parecia que não seriam suficientes todos os tesouros da Terra.
E eu dizia para mim mesmo: "Se os meus meninos tivessem uma destas casas, como gozariam, que felizes seriam e com quanto gosto viveriam nela!"
Isto pensava eu, vendo externamente os palácios.
Qual não deveria ser então a sua magnificência interior!
Enquanto contemplava, extasiado, tão estupendas maravilhas que adornavam aqueles jardins, eis que chega aos meus ouvidos uma música dulcíssima, de tão agradável e suave harmonia que nem posso dar-vos dela a mínima ideia.
As músicas do Padre Cagliero e de Dogliani nada têm de musical, se comparadas àquela!
Eram cem mil instrumentos, produzindo cada qual um som diverso do outro, enquanto todos os sons possíveis difundiam pelos ares as suas ondas sonoras.
A tão maravilhosos sons, somavam-se ainda os inebriantes coros de cantores.
Vi então uma grande multidão de pessoas que se encontrava naqueles jardins e se regozijava com com imensa alegria e satisfação.
Uns tocavam e outros cantavam; e cada voz, cada nota, produzia o efeito de mil instrumentos reunidos, todos diferentes uns dos outros.
Ao mesmo tempo, ouviam-se os diversos graus da escala harmónica, desde os mais baixos até aos mais agudos que se possam imaginar, mas todos em perfeita harmonia.
Ah, para descrever-vos tal harmonia, não existem comparações humanas!
Via-se, pelo rosto dos felizes habitantes do jardim, que os cantores não só experimentavam extraordinário prazer em cantar, mas ao mesmo tempo sentiam imenso gozo em ouvir cantar os demais.
Quanto mais um cantava, mais se lhe acendia o desejo de cantar, e quanto mais ouvia, mais desejava ouvir.
Era isto o que eles cantavam:
«Salus, honor, gloria Deo Patri omnipotenti!... Auctor saeculi, qui erat, qui est, qui venturus est iudicare vivos et mortuos, in saecula saeculorum» [Saudação, honra e glória a Deus Pai omnipotente!... Autor do tempo, Aquele que era e que é, e que virá a julgar os vivos e os mortos, por todos os séculos dos séculos].
Enquanto ouvia, atónito, essa celestial harmonia, vi aparecer uma imensa multidão de jovens, muitos dos quais eu conhecia, pois tinham estado no Oratório e noutros nossos colégios; mas era-me desconhecida a maior parte deles.
A multidão interminável dirigia-se para mim.
À sua frente, vinha (São) Domingos Sávio, e logo atrás dele vinham o Padre Alasonatti, o Padre Chiala, o Padre Giulitto, e muitos outros sacerdotes e clérigos, cada um deles conduzindo uma secção de jovens.
E eu perguntava a mim mesmo: "Estou a dormir, ou estou acordado?"
Batia as mãos uma na outra e tocava no meu peito, para certificar-me de que era realidade o que então via.
Chegada diante de mim toda aquela multidão, parou à distância de oito ou dez passos.
Brilhou então um relâmpago de luz mais viva; cessou a música e fez-se um silêncio profundo.
Todos os jovens estavam tomados pela maior alegria, que lhes transparecia no olhar, e nos seus rostos via-se a paz de uma felicidade perfeita.
Olhavam-me com um suave sorriso nos lábios, e parecia que desejavam falar, mas não falavam.
Então, adiantou-se Domingos Sávio, apenas alguns passos, e ficou tão próximo a mim que, se eu tivesse estendido a mão, certamente tê-lo-ia tocado.
Calava-se e olhava-me, sorrindo. Que belo ele estava!
As suas vestes eram verdadeiramente singulares:
Caía-lhe até aos pés uma túnica alvíssinia, coberta de diamantes e toda bordada de ouro.
Cingia-lhe a cintura uma ampla faixa vermelha, recamada com tantas pe dras preciosas que uma quase tocava a outra, e entrelaçavam-se em desenho tão maravilhoso, apresentando tanta beleza de cores, que eu, ao vê-lo, sentia-me fora de mim por tamanha admiração!
Pendia-lhe do pescoço um colar de flores raras, mas não naturais, parecendo como se as pétalas fossem de diamantes unidos entre si, sobre hastes de ouro; e assim era tudo o mais.
Essas flores refulgiam com luz sobre-humana, mais viva que a do Sol, que naquele instante brilhava com todo o esplendor duma manhã de Primavera.
As flores reflectiam os seus raios sobre o rosto cândido e corado (de Domingos Savio), de modo indescritível, dando-lhe uma luz de modo tão singular, que nem se distinguiam bem as suas várias espécies.
A cabeça, tinha-a cingida com uma coroa de rosas; e os cabelos caíam-lhe sobre os ombros em ondulantes cachos, dando-lhe um ar tão pulcro, tão afectuoso, tão encantador, que parecia... parecia mesmo um Anjo!”

sábado, 21 de junho de 2014

A Necessidade do Magistério e da Tradição da Igreja



A Igreja Católica, desde os tempos apostólicos ensina que além da Sagrada Escritura, também é necessário para a formação doutrinal e moral da Igreja, a Sagrada Tradição (compreendendo aí os ensinamentos dos apóstolos e dos primeiros cristãos) e o Sagrado Magistério ( compreendendo o que os Concílios, o Bispo de Roma em particular, e em comunhão com ele todos os Bispos definem e ensinam como verdades de fé e moral ).



Tal tríade abençoada ( Sagrada Escritura, Sagrada Tradição e Sagrado Magistério) foram e são os responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção de toda a doutrina católica nestes vinte séculos de história cristã.



O Protestantismo nega tanto a Tradição quanto o Magistério legitimamente instituído por Jesus Cristo. Para eles, a única regra é a Sola Scriptura (ou seja somente a Bíblia e nada mais do que ela é regra de fé e de moral) interpretada livremente por qualquer pessoa ( método do livre exame ). Eis Martinho Lutero a dize-lo sem rodeios: "a todos os cristãos e a cada um em particular pertence conhecer e julgar a doutrina. Anátema a quem lhe tocar um fio deste direito" ( Conforme D. M. Luthers, Werke, Kritische Gesamtausgabe. Weimar, X. 2 Abt., p. 217, 1883 ss). Como se dissesse a cada um de seus seguidores: Eia pois, valoroso cristão! Tu és mestre de ti mesmo. Despreza tudo o que os primeiros cristãos, os Bispos e os Concílios definiram como verdade. Toma tu a bíblia, senta em tua saleta e defina tu mesmo o teu cristianismo!



Procuraremos demonstrar - Se Deus o consentir - que ao abandonar tanto a Sagrada Tradição quanto o Sagrado Magistério, o protestantismo provocou inadvertidamente sua própria dissolução doutrinária e orgânica. E hoje, infelizmente, sob o elástico nome de "protestantismo" se abrigam milhares e milhares de seitas doutrinariamente e disciplinadamente discordantes entre si. Causando um flagrante escândalo à causa ecumênica e ao desejo expresso de Jesus Cristo: " Para que todos sejam um (...) e o mundo creia que tu me enviaste" ( Jo 17, 20-21).



Com efeito, sabemos, a própria Bíblia não caiu pronta dos céus. Quem definiu que cada um dos livros que compõem a Sagrada Escritura, era de inspiração Divina foi o Espirito Santo agindo através da Tradição e do Magistério Católico. Isto são fatos históricos! Quem definiu o cânon completo, tanto do antigo quanto do novo testamento, foi o Espirito Santo através da Tradição e do Magistério. Quem definiu que o Novo Testamento e o Velho fosse enfeixado em um único volume dando portanto igual valor entre os dois testamentos foi a Tradição e o Magistério. Do que viveu a Igreja católica primitiva, durante os primeiros anos de pregação? Quando o Novo testamento ainda não havia sido escrito? Sobreviveu pela Tradição e pelo Magistério.



A própria Bíblia dá testemunho interno da necessidade de uma Tradição e de um Magistério vivo, para interpretá-la e ensiná-la. Transcrevo sobre isto, o magnífico comentário de Pe. Leonel Franca: "( a própria Bíblia) inculca a necessidade do ensino vivo, a importância de conservar a tradição, a insuficiência das Escrituras, que segundo afirma São João, não encerra tudo o que ensinou o Salvador (Jo 21,25). Jesus Cristo nunca mandou aos seus discípulos que folheassem um livro para achar a sua doutrina, mandou pelo contrário aos fiéis, que ouvissem aos que Ele mandara pregar: quem vos ouve, a mim ouve; se alguém não ouvir a Igreja, seja considerado como infiel e publicano, isto é, não pertencente a minha Igreja: se alguém não vos receber nem ouvir vossas palavras, saindo da casa ou da cidade sacudi até o pó dos sapatos; Pai oro não só por estes (Apóstolos) mas por todos os que hão de crer em mim mediante a sua palavra a fim de que sejam todos uma coisa só. Foi Jesus ainda quem prometeu o seu Espírito de Verdade, a sua assistência espiritual, todos os dias, até a consumação dos séculos, para que os apóstolos vivendo moralmente em seus sucessores (os bispos ) continuassem até o final dos tempos a ensinar sempre tudo o que ele nos mandou. Eis meus caros leitores, o que diz a Bíblia" ( Franca, P. Leonel, I.R.C., 1958, pg.216-7).



Quando se fala de Magistério, evidentemente se fala do magistério legítimo, constituído por Jesus Cristo, o qual prometeu assistência especial e infalível até o final dos tempos: "Recebei o Espírito Santo (...) Eu estarei convosco até o final do tempos". Hoje, qualquer papalvo se atribui a si mesmo o título de "bispo" e sai por aí a fundar seitas e pregar doutrinas. Evidentemente este não é um magistério legítimo. O indivíduo que a si mesmo se premia com o título de "bispo", nada mais é que um mentiroso sacrílego.



Os próprios apóstolos ensinaram à exaustão a respeito da necessidade da Sagrada tradição e do Magistério legitimamente constituído. Vejamos S. João em suas últimas duas epístolas dizer expressamente que não quis confiar tudo por escrito, mas havia outras coisas que comunicaria à viva voz ( II Jo., 12 ; III Jo, 14). O apóstolo São Paulo, inculca fortemente a necessidade de uma tradição e um magistério vivo: "Estais firmes, irmãos e conservai as tradiçõesque aprendestes ou de viva voz..." ( II Tes 2,15 ); "que vos aparteis de todos os que andam em desordens e nãosegundo a tradição que receberam de nós" (II Tes 3,6); "O que de mim ouvistes por muitas testemunhas, ensina-o a homens fiéis que se tornem idôneos para ensinar aos outros" (II Tm 2,2). A Igreja fundada por Cristo, portanto, seria ela "a coluna e o firmamento da verdade" ( I Tm 15). A Igreja fundada por Cristo portanto é maior que a Sagrada Escritura. Pois a Igreja é quem a escreveu, a definiu, a interpreta e a ensina. Os primeiros cristãos seguindo os ensinamentos dos apóstolos e já de posse da Sagrada Tradição e do Sagrado Magistério, nem pensam ser a Bíblia a única regra de fé. Aqui, por falta de espaço, vamos respigar apenas algumas citações da vasta seara dos testemunhos primitivos: "Advertia, antes de tudo, as igrejas das diversas cidades, evitassem, sobre todas as coisas, as heresias que começavam então a se alastrar e exortava-as a se aterem tenazmente à tradição dos apóstolos" ( Eusébio resumindo o ensino de S. Inácio de Antioquia, martirizado no ano 107 DC cf. Euséb., Hist. Eccles., III, 36 / MG, 20, 287); "Antes exortei-vos a vos conservardes unânimes na doutrina de Deus, pois Jesus Cristo nossa vida inseparável, é a doutrina do Pai, como a doutrina de Jesus Cristo são os bispos constituídos nas diversas regiões da terra" ( clara alusão ao Sagrado Magistério) ( S. Inácio, + 107 DC in Ad Ephesios, 3-4) ; "Sob Clemente, havendo nascido forte discórdia entre os irmãos de Corinto, a Igreja de Roma escreveu-lhes uma carta enérgica, exortando-os à paz, reparando-lhes a fé, e anunciando-lhes a tradição que havia pouco tinham recebido dos apóstolos" ( S. Irineu, martirizado em 202 DC in Contra as Heresias III, c.3,n.3) ; "Aí está claro, a quantos querem ver a verdade, a tradição dos apóstolos, manifesta em toda a Igreja disseminada pelo mundo inteiro..."( S. Irineu mártir in contra as heresias III, 3, 1) ; "Não devemos buscar nos outros a verdade que é fácil receber da Igreja, pois os apóstolos a mãos cheias, versaram nela, como em riquíssimo depósito, toda a verdade... Este é o caminho da vida" (Idem, In Contra as heresias III, 4, 1); "E se os apóstolos não nos houvessem deixado as Escrituras, não cumpria seguir a ordem da Tradição por eles ensinada aos a quem confiavam à sua Igreja?" ( Idem, In contra as heresias III, 4,1) ; "De nada vale as discussões das Escrituras. A heresia não aceita alguns de seus livros, e se os aceita, corrompe-lhes a integridade, adulterando-os com interpolações e mutilações ao sabor de suas idéias, e se, algumas vezes admitem a Escritura inteira, pervertem-lhe o sentido com interpretações fantásticas..." ( Tertuliano séc III In De Praescriptionibus., c. 19 / ML, II,31). Na mesma obra assevera que onde estiver a verdadeira Igreja, "aí se achará a verdade das Escrituras, da sua interpretação e de todas as tradições cristãs" ( Idem, De Praescript., c. 19 ML, II, 31).



Jesus Cristo, instituiu para sua Única Igreja, um Magistério verdadeiro, pois disse à Pedro: "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares na terra será ligado nos céus..." ( Mt 16, 18-19), e em outro lugar "Eu estarei convosco até o final dos tempos". Para os católicos, se Jesus prometeu ficar conosco até o final dos tempos ele irá cumprir literalmente esta promessa. Se ele disse que a sua Igreja iria se manter firme por todo o sempre porque as portas do inferno não iriam prevalecer, nós cremos que ele está cumprindo concretamente esta promessa.



Pois não é exatamente isto que constatamos na Igreja Católica? Dois mil anos de existência ininterrupta. E que constância doutrinária e moral admirável! Quantas perseguições e vicissitudes e no entanto "as portas do inferno não prevaleceram". Parte desta unidade e estabilidade maravilhosa devemos certamente à instituição da Sagrada Tradição e do Sagrado Magistério por Cristo e pelos apóstolos.



O protestantismo negando tanto a Tradição quanto o Magistério sofre desde os seus primórdios uma desintegração doutrinária assombrosa. Onde Cristo fundou a Igreja Católica sobre a Rocha, Lutero e Cia fundaram a Igreja Evangélica sobre a areia movediça da sola scriptura e do livre exame. E logo nas primeiras ventanias, pôs-se a casa dos reformadores a desabar fragorosamente: tábuas lançadas aqui e ali, telha lá e acolá, junturas e cacos em todas as direções.



As divisões e subdivisões do Protestantismo desafiam hoje a paciência dos mais abnegados dos estatísticos.



Vejamos como no princípio deste século, o Reverendíssimo Pe. Leonel Franca já chamava a atenção para este fato, descrevendo lucidamente o processo de desagregação doutrinária do protestantismo, baseado no método da sola scriptura e do livre exame: "Na nova seita (protestantismo) não há autoridade, não há unidade, não há magistério de fé. Cada sectário recebe um livro que o livreiro lhe diz ser inspirado e ele devotamente o crê sem o poder demonstrar; lê-o, entende-o como pode, enuncia um símbolo, formula uma moral e a toda esta mais ou menos indigesta elaboração individual chama cristianismo evangélico. O vizinho repete na mesma ordem as mesmas operações e chega a conclusões dogmáticas e morais diametralmente opostas. Não importa; são irmãos, são protestantes evangélicos, são cristãos, partiram ambos da Bíblia, ambos forjaram com o mesmo esforço o seu cristianismo" ( In I.R.C. Pg. 212 , 7ª ed.).



Vejamos alguns exemplos práticos: um fiel evangélico quer mudar de seita? Precisa-se rebatizar? Umas igrejas dizem sim, outras não. Umas admitem o batismo de crianças, outras só de adultos, umas admitem a aspersão, infusão e imersão. Aquela outra só imersão, e mesmo há grupelho que só admite batismo em água corrente e sem cloro! Aqui e ali as fórmulas de batismo são tão variadas como as cores do arco-íris. Quer o sincero evangélico participar da Santa Ceia? Há seitas que consideram o pão apenas pão (pentecostais) outras que o pão é realmente o corpo de Cristo (Luteranos, Episcopais e outros). Uns a praticam com pão ázimo, outras com pão comum, aqui com vinho, lá com vinho e água, acolá com suco de uva. A Santa Ceia pode ser praticada diariamente, mensalmente, trimestralmente, semestralmente, anualmente ou não ser praticada nunca. Trata-se de ministérios ordenados? Esta seita constitui Bispos, presbíteros e diáconos. Àquela só presbíteros e pastores, ali pastores e anciãos, lá Bispos e anciãos, acolá presbíteros e diáconos, outras não admitem ministro nenhum. Umas igrejas ordenam mulheres, outras não. E por aí, atiram os evangélicos em todas as solfas quando o assunto é ministério ordenado. Após a morte, o que espera o cristão ? Pode um crente questionar seu pastor sobre isto? E as respostas colhidas entre as denominações seria tão rica e variada quanto a fauna e a flora. Há Pastor que prega que todos estarão inconscientes até a vinda de Cristo quando serão julgados; outros pregam o "arrebatamento" sem julgamento; outros, uma vida bem-aventurada aqui mesmo na terra; aqueles lá doutrinam que após a morte já vem o céu e o inferno; no outro quarteirão, se ensina que o inferno é temporário; opinam alguns que ele não existe; e tantas são as doutrinas sobre os novíssimos quanto os pastores que as pregam. Está cansado o fiel da esposa da sua juventude? Não tem importância, sempre encontrará uma seita a lhe abrir risonhamente as portas para um novo matrimônio. E de vez em quando não aparece um maluco aqui e ali aprovando a poligamia? Lutero mesmo admitiu tal possibilidade: "Confesso, que não posso proibir tenha alguém muitas esposas; não repugna às Escrituras; não quisera porém ser o primeiro a introduzir este exemplo entre cristãos" (Luthers M.., Briefe, Sendschreiben (...) De Wette, Berlin, 1825-1828, II. 259 ). Não há uma pesquisa nos Estados Unidos que demonstra que entre os critérios para um evangélico escolher sua nova igreja está o tamanho do estacionamento? Eis o que é hoje o protestantismo.



Vejamos neste passo a afirmação de Krogh Tonning famoso teólogo protestante norueguês, convertido ao catolicismo, que no século passado já afirmava: "Quem trará à nossa presença uma comunidade protestante que está de acordo sobre um corpo de doutrina bem determinado ? Portanto uma confusão (é a regra ) mesmo dentre as matérias mais essenciais" ( Le protest. Contemp., Ruine constitutionalle, p. 43 In I.R.C., Franca, L., pg 255. 7ª ed, 1953)



Mas o próprio Lutero que saiu-se no mundo com esta novidade da sola scriptura viveu o suficiente para testemunhar e confessar os malefícios que estas doutrinas iriam causar pelos séculos afora: "Este não quer o batismo, aquele nega os sacramentos; há quem admita outro mundo entre este e o juízo final, quem ensina que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros aquilo, em breve serão tantas as seitas e tantas as religiões quantas são as cabeças" ( Luthers M. In. Weimar, XVIII, 547 ; De Wett III, 6l ). Um outro trecho selecionado, prova que o Patriarca da Reforma tinha também de quando em quando uns momentos de bom senso: "Se o mundo durar mais tempo, será necessário receber de novo os decretos dos concílios (católicos) a fim de conservar a unidade da fé contra as diversas interpretações da Escritura que por aí correm" ( Carta de Lutero à Zwinglio In Bougard, Le Christianisme et les temps presents, tomo IV (7), p. 289).



Gostaríamos de terminar por aqui para não sermos enfadonhos. Quando o Pai do Protestantismo, diante da dissolução das seitas, já há quinhentos anos atrás, confessa ao outro "reformador" que seria necessário receber de novo o Sagrado Magistério ( Concílios ) para manter a unidade, a regra do livre exame e da sola scriptura já está julgada por si mesma.

Fonte 

domingo, 8 de junho de 2014

A Virgem Maria é onipresente? E os anjos? E os demônios? E os santos?


Onde estão os anjos e santos quando lhes dirigimos orações? Nossa Senhora é onipresente? Os demônios também estão presentes em todos os lugares? Padre Paulo responde a estes questionamentos no vídeo abaixo:
 



Caso ser preferi acesse o áudio (carrega mais rápido):



Os anjos, os santos e a Virgem Maria possuem modos distintos de ação. Os anjos, uma vez que são puro espírito, não estão ligados a nenhum lugar específico e agem concentrando sua atenção espiritual em determinado lugar ou pessoa. Esse jeito vale tanto para os anjos quanto para os demônios.

Os santos, por sua vez, estão no céu, em Deus. Fazem parte da chamada Igreja triunfante e seu ofício é interceder a Deus pelos homens. Alguns se perguntam sobre a necessidade dessa intercessão, pois Deus sabe todas as coisas, conhece todos os corações e, portanto, sabe o que é melhor para cada um. Em resposta, Santo Agostinho dizia que as orações dos santos são necessárias para alargar o desejo para a graça de Deus que virá.

A Virgem Santíssima ocupa um lugar muitíssimo especial: está entre a Santíssima Trindade e os anjos e santos. Por um desígnio especial, foi escolhida por Deus para trazer ao mundo o Seu Filho. E Deus não muda. É por ela, portanto, que Jesus continua a ser gerado ao longo da história. Ela ouve os pedidos dos homens, mas, estando em Deus, participa por graça daquilo que Deus quer que ela saiba. Contudo, ela não é onipotente nem mesmo onipresente, mas, estando em Deus ressuscitada (corpo e alma) pode estar presente onde quer que o Corpo de Cristo esteja no mundo. A Virgem Maria faz parte da misteriosa economia salvífica de Deus.

Assim, cada um possui seu modo próprio de operar, segundo a graça concedida por Deus, para que os homens sejam salvos.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

SANTA MISSA: TESOURO SACRATÍSSIMO, TESOURO SEM PREÇO! - por São Leonardo de Porto-Maurício.



Um texto belíssimo de São Leonardo de Porto-Maurício, sobre as excelências da Santa Missa, seus frutos e a riqueza desperdiçada por muitos, entre religiosos e leigos. Sacerdotes inclusos. O texto é longo, eu sei, mas vale a pena "perder" um pouco de tempo com essa leitura, porque o tempo da eternidade no Inferno é... maior!

PARA EXCITAR TODOS OS FIÉIS A ASSISTIR TODOS OS DIAS À SANTA MISSA‏

Aqueles que não têm gosto para assistir à Santa Missa, invocam inúmeros pretextos para escusar sua tibieza. Podeis vê-los absolvidos por seus negócios. Cheios de solicitude e zelo pelo progresso de seus miseráveis interesses. Para isso toda fadiga é leve, e não há dificuldade que os retenha. Ao contrário, para assistir à Santa Missa, que é o mais importante dos tesouros, ei-los cheios de frieza e preguiça, invocando centenas de escusas frívolas: seus inúmeros cuidados, sua saúde delicada, os embaraços da família, a falta de tempo, o excesso de ocupações. Em suma, se a Santa Madre Igreja não os obrigasse sob pena de pecado a assistir à Santa Missa ao menos, aos domingos e dias santificados, sabe DEUS se visitariam jamais uma igreja ou dobrariam o joelho ante um altar!

Ó vergonha, ó profunda miséria de nossos tempos infelizes, que estamos longe do fervor dos primeiros cristãos, os quais, como já disse, assistiam todo dia à Santa Missa e recebiam o Pão dos Anjos. No entanto, não lhes faltavam afazeres, cuidados, ocupações. Mas a própria Santa Missa era para eles um auxílio para bem dirigir seus negócios e interesses espirituais e temporais

Mundo obcecado! Quando abrirás os olhos para reconhecer tão palpável ilusão? Vamos! Despertemos todos! E que nossa devoção preferida, a mais amada, seja assistir diariamente à Santa Missa e nela comungar, pelo menos espiritualmente

Para alcançar tão santo resultado, não sei de meio mais eficaz que o exemplo, pois é uma máxima indiscutível que todos “vivimus ab exemplo”: isto é, que tudo que vemos feito por nossos semelhantes se nos torna acessível e fácil. Não poderás fazer, dizia a si próprio Santo Agostinho, o que fazem estes e aqueles? “Tu non poteris qudo isti et istae”?

Apresentarei, portanto, alguns exemplos interessantes de pessoas diversas, e por este meio espero convencer todo o mundo.

EXEMPLOS PARA AS PESSOAS DE CATEGORIA:

Uma mulher, que entra na Igreja com um traje espaventoso, atrai todos os olhares, e queira DEUS não atraia também os corações, arrebatando ao SENHOR as devidas adorações!
Não é preciso excitar estas pessoas a assistir todos os dias à Santa Missa; já são demais levadas a frequentar as igrejas. O importante será fazer-lhes compreender com que modéstia e respeito devem portar-se na casa de DEUS, especialmente quando se celebra a Santa Missa. Tanto mais me edificam senhoras da nobreza e princesas que só aparecem ante aos altares vestidas simplesmente, sem luxo nem elegâncias refinadas, quanto me escandalizam certas pretensiosas que, com seus penteados ridículos e ares de atrizes, assumem poses de deusas no lugar santo
A bem-aventurada Ivete teve, certo dia, uma visão, que devia inspirar a essas pessoas o temor respeitoso devido à Santa Missa. Ao assistir à Santa Missa, viu essa nobre flamenga um espetáculo terrível. Perto dela estava uma dama distinta, cujo olhar se fixava aparentemente no altar; mas não era para seguir o Santo Sacrifício, nem para adorar o Santíssimo Sacramento que ia receber, e sim, para satisfazer uma paixão impura. Em volta dela estavam um grande número de demônios que dançavam e se expandiam em demonstrações de regozijo. Quando ela se levantou para se dirigir à mesa sagrada, uns lhe seguraram a cauda do vestido, outro lhe ofereceu o braço enquanto outros lhe faziam cortejo e serviam-lhe como a sua senhora. No momento em que o sacerdote descia do altar com a Santa Hóstia na mão, a fim de dar a comunhão àquela infeliz, pareceu a Ivete que o Salvador abandonava as santas espécies e volvia ao Céu, repugnando-Lhe entrar num coração assim rodeado de espíritos das trevas. Aterrorizada por semelhante cena, a bem-aventurada Ivete dirigia humildes preces a Nosso Senhor. E Ele revelou-lhe a causa, fazendo-lhe ver que aquela mulher alimentava uma paixão desordenada por uma pessoa que se achava próxima do altar, e que durante toda a Santa Missa, ao invés de se ocupar dos Santos Mistérios, contemplava-a com olhares impuros, desejando antes lhe agradar que agradar a DEUS. Por isso rodeavam-na os demônios e faziam-lhe o cortejo
Dir-me-eis que não sois do número dessas infelizes criaturas, e eu creio de boa vontade. Se, entretanto, ides à Igreja com certos trajes escandalosos, mereceis todas as censuras. Transformeis o templo sagrado em covil de ladrões, pois roubais a DEUS a honra, pelas distrações que provocais aos sacerdotes, aos ministros, a todo o povo

Por favor, considerai e tomai a resolução de imitar Santa Isabel da Hungria. Para assistir à Santa Missa, ela se dirigia com grande pompa à Igreja. Mas, para assistir ao Santo Sacrifício, retirava da cabeça a coroa, os anéis dos dedos, depunha seus ornamentos e cobria-se com um véu, ficando em atitude tão modesta que nunca foi vista desviar sequer os olhos. Tudo isso agradou de tal modo a DEUS que Ele quis manifestá-lo a todos: durante a Santa Missa, a Santa aparecia envolta de tal claridade que se velavam de deslumbramento os olhos dos assistentes; parecia-lhes contemplar um Anjo do Paraíso Imitai exemplo tão ilustre, certos de que agradareis a DEUS e aos homens, e que a Santa Missa será para vós de imenso proveito para esta vida e para a outra

EXEMPLO PARA AS MULHERES DO POVO:

Grande é a utilidade que se aufere da assistência à Santa Missa, o que acaba de ser demonstrado. Muitas vezes, porém, há impossibilidade para certas pessoas, ou mesmo inconveniência, de ir à Igreja todos os dias. Vós que tendes filhos pequenos, ou que por obrigação ou caridade cuidais de um doente, ou que tendes um marido difícil que vos proíbe sair, não deveis inquietar-vos, ou, o que é pior, desobedecer. Pois, ainda que a Santa Missa seja um santo tesouro e de valor infinito, apesar de tudo, é sempre ainda melhor obedecer e renunciar à própria vontade, pois a obediência é imensamente valiosa
Que sucederia, no entanto, se fôsseis à Santa Missa para vos entregardes à tagarelice, à curiosidade, às distrações voluntárias, e voltásseis com as mãos vazias? Foi o que sucedeu a uma camponesa, que morava em uma aldeia um pouco afastada da Igreja. Querendo alcançar uma graça importante, ela prometeu assistir à Santa Missa durante um ano. Com esta intenção, todas as vezes que ouvia repicar o sino anunciando a Santa Missa, em alguma Igreja dos arredores, largava imediatamente seu trabalho e punha-se a caminho, sem atender sequer às inclemências do tempo. De volta a casa, para não perder a conta das Santas Missas assistidas, que tencionava completar exatamente conforme se impusera, depositava cada vez uma fava em uma caixa cuidadosamente guardada. Passou-se o ano, e ela, certa de ter cumprido a promessa e alcançado muitos méritos, foi abrir a caixa. Ora, de tantas favas que ajuntara, só encontrou uma. 
Surpreendida e consternada, invadiu-a um grande pesar, e dirigiu-se a DEUS, dizendo-lhe lacrimosa: “Ó SENHOR, como é possível que, de tantas Santas Missas que participei, só uma se encontre de sobra? Nunca faltei, a despeito do esforço a fazer, do mau tempo, da chuva, do frio e do caminho ruim!”. DEUS então lhe inspirou a ideia de contar sua infelicidade a um piedoso sacerdote muito prudente. Este lhe perguntou de que modo ia ela à igreja, e com que devoção assistia ao santo Sacrifício. Então, ela disse-lhe que no caminho só falava de negócios ou de diversões e passava o tempo dos divinos Mistérios a tagarelar com um e outro, tendo o espírito ocupado exclusivamente com sua casa e seus campos. “Aí está, lhe disse o padre, o motivo de nada restar dessas Missas. A tagarelice, a curiosidade, as distrações voluntárias vos roubaram todo o mérito. Satanás vo-lo roubou. Por isso, vosso Anjo fez desaparecer as favas, para vos mostrar que as obras mal feitas, ficam perdidas. Dai graças a DEUS porque pelo menos uma das Santas Missas foi bem assistida e vos trouxe frutos”
Fazei agora uma reflexão bem séria e dizei: Quem sabe, de tantas Santas Missas a que tenho assistido em minha vida, quantas foram agradáveis a DEUS? Que vos responde a consciência! Se vos parece que bem poucas dessas Santas Missas são dignas de mérito aos olhos de DEUS, remediai esta situação e emendai-vos sinceramente para o futuro
Mas se, o que não queira DEUS, sois do número dessas infelizes, asseclas dos demônios, que vão à igreja ajudá-los a arrastar ao inferno, ouvi uma história apavorante e tremei!
Conta-se que certa mulher, tendo caído em grande miséria, errava em extremo desespero, num lugar solitário. Apareceu-lhe Satanás e disse-lhe que se ela quisesse distrair as pessoas na igreja, por meio de conversinhas e falatório inútil e inconveniente, ele a tornaria rica como nunca. A miserável mulher aceitou a proposta e pôs-se a executar o diabólico ofício, alcançando plenos resultados: agia e falava de tal maneira que ninguém perto dela podia assistir atentamente à Santa Missa, nem a outras cerimônias. Não durou muito, porém, que não pesasse sobre ela a mão de DEUS. Certa manhã desencadeou-se terrível tempestade e um raio certeiro fulminou-a, reduzindo-a a cinzas

Ó mulheres, aprendei à custa de outrem, e fugi das pessoas que, por suas tagarelices e irreverências nas igrejas, exercem o ofício de ministros de Satanás, se não quereis incorrer também vós na cólera de DEUS

São Tomás e São Boaventura, os dois doutores da Igreja, ensinam, como dissemos anteriormente, que o Santo Sacrifício da Missa é de valor infinito, tanto pela Vítima que é ai oferecida, que é o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, principalmente, por Quem o oferece. No entanto, muitos há que o têm em tão pouca estima que colocam este tesouro sacratíssimo abaixo do mínimo interesse
Outra finalidade não tem este livrinho, da primeira à última página, senão dar uma ideia justa desta preciosidade tão grande que não tem preço. E se, até aqui, este Santo Sacrifício era para vós um tesouro oculto, agora que lhe conhecem o valor infinito, tomem a resolução de aproveitá-lo, assistindo à Santa Missa! Para a isso mais incitá-los, vou contar uma história apavorante, que será a conclusão desta obra.

Piccolomini, mais tardePio II, refere que, em certa região da Alemanha, havia um fidalgo de grande linhagem que, tendo caído na pobreza, vivia retirado em uma de suas terras. Aí, acabrunhado pela melancolia, estava prestes a deixar-se dominar pelo desespero, pois Satanás o impelia, cada dia, a por uma corda ao pescoço a fim de dar cabo da vida. Nesse combate contra a tristeza e a tentação, recorreu a um santo confessor, que lhe deu o excelente conselho de não passar, nem um dia, sem assistir à Santa Missa. O fidalgo aceitou o conselho e logo o colocou em prática; e fez mais: para ficar seguro de nunca faltar à Santa Missa, tomou um capelão que devia estar pronto a oferecer, cada manhã, o Santo Sacrifício, a que ele assistia com grande fervor e devoção. Um dia, porém, o capelão dirigiu-se bem cedo a uma aldeia pouco afastada para assistir um padre recém-ordenado que lá celebrava sua primeira Missa. O fidalgo, receoso de ficar privado da Santa Missa naquele dia, dirigiu-se apressadamente para a tal aldeia. No caminho, porém, encontrou um camponês, e este lhe disse que podia voltar dali, pois a Santa Missa do novo sacerdote já havia terminado e que na aldeia não se celebraria outra. A esta notícia, o fidalgo perturbou-se e exclamou entre lágrimas: “Que vai ser de mim hoje?”. O camponês, que nada podia entender de tão pungente aflição, replicou num tom de gracejo e ímpio ao mesmo tempo: “Não choreis, senhor, eu vos venderei a Missa que acabo de assistir. Dai-me o manto que trazeis e eu vo-la cedo”. O gentil-homem aceitou a estranha proposta do camponês e, entregando-lhe o manto, encaminho-se para a Igreja. Fez uma curta oração no lugar santo e voltou em seguida para casa. Mas, ao chegar ao sítio em que se detivera pouco antes, qual não foi seu espanto ao ver enforcado num carvalho, morto como Judas, o desgraçado camponês que lhe vendera sua Missa. A tentação de suicídio passara do fidalgo ao camponês que, privado do socorro que a Santa Missa lhe alcançara, não soubera resistir ao Diabo. O fato acabou de convencer o bom fidalgo de quão eficaz era o remédio sugerido pelo confessor, e mais se firmou em sua resolução de assistir, todos os dias, à Santa Missa

Duas coisas de grande importância eu quisera que notásseis neste terrível caso. Primeiro, a grosseira ignorância de grande número de cristãos que, não sabendo apreciar as riquezas imensas na Santa Missa, vão a ponto de taxá-la por um preço material
Daí vem a linguagem inconveniente de algumas pessoas que falam em “pagar ao sacerdote a sua Missa”. Pagar a Missa! E onde encontrareis fortuna capaz de igualar o valor de uma única Santa Missa, já que ela vale mais que todo o Paraíso ó ignorância revoltante. Esse pouco de dinheiro que dais ao sacerdote, vós lho dais para seu sustento, mas não como pagamento, pois a Santa Missa é um tesouro sem preço
Por que vos exortei, neste livrinho, a assistir todos os dias à Santa Missa e a encomendar quantas puderdes, é possível que Satanás vos coloque no espírito esta ideia: “Os padres nos exortam a encomendar muitas Missas, por motivos muito bonitos e especiais. Mas nem tudo que brilha é ouro. Sob esta aparência de zelo, eles escondem seu proveito e no fim de contas vê-se que o interesse é que lhes inspira a conduta e as palavras” . Que erro o vosso, se pensais assim!
Dou graças a DEUS de me ter inspirado abraçar uma ordem na qual se professa a mais estrita pobreza, e não se recebem “espórtulas” pelas Missas. Se nos oferecessem cem escudos por uma só Missa, jamais os aceitaríamos, pois dizemos todas as nossas Missas na intenção que tinha CRISTO na Cruz, quando ofereceu ao Eterno PAI o primeiro Sacrifício do Calvário. Se, portanto, alguém há que possa elevar a voz sem receio de censura, sou eu que só busco o vosso interesse

Ora, tudo que vos aconselhei neste opúsculo vo-lo repito novamente, rogo-vos: assisti a muitas Santas Missas e encomendai o mais que puderdes. Tereis amontoado um grande tesouro que vos aproveitará neste Mundo e no outro

A segunda verdade que deveis depreender da história precedente é a eficácia da Santa Missa para alcançar todo bem e preservar-se de todo mal, e em particular para adquirir forças espirituais a fim de vencer todas as tentações. Deixai-me, portanto, dizer-vos ainda: À Santa Missa! À Santa Missa! Se quereis a vitória sobre vossos inimigos e ver todo o Inferno vencido e dominado.
Resta-me ainda dar-vos um aviso, que se dirige também tanto aos sacerdotes, aos religiosos, como aos leigos: é que, para receber com grande abundância os frutos da Santa Missa, importa ir a Ela com a máxima devoção. Vós, leigos, portanto, assisti com toda a devoção à da Santa Missa, e para isto, se quiserdes, utilizai-vos deste livrinho e ponde em prática, cuidadosamente, tudo o que nele vai indicado. Em pouco tempo, posso assegurar-vos pela experiência, verificareis uma mudança sensível em vosso coração e tocareis com o dedo o grande bem que daí há de auferir a vossa alma
E vós, sacerdotes, deveis temer a justiça de DEUS quando, por uma pressa exagerada ou por negligência irreverente, executardes mal as santas cerimônias, precipitardes as palavras, confundirdes os movimentos, numa palavra: despachardes a Missa. Refleti que consagrais, que tocais e recebeis o FILHO DO ALTÍSSIMO, e que não podeis, sem falta, omitir a menor cerimônia ou fazê-la de modo negligente ou defeituoso, como o ensina o sábio Suarez: “Vei unius caeremoniae omissio culpae reatum inducit”!

Por isso, João d'Avila, o oráculo da Espanha, não punha em dúvida que o Soberano Juiz pedirá aos sacerdotes uma conta mais rigorosa de todas as Missas que tiverem celebrado, do que qualquer outra obrigação. Por este motivo, tendo ouvido dizer que um jovem sacerdote passara à outra vida ao terminar sua primeira Missa, aquele santo homem soltou um suspiro e disse: “Ele celebrou, então, a Santa Missa?”. E como lhe respondessem que o neo-sacerdote tivera a felicidade de morrer logo depois de celebrá-la, replicou: “Ah! Grande conta tem ele de dar a DEUS, se celebrou uma Missa!”
E vós e eu, que tantas temos celebrado, como nos arranjaremos no tribunal de DEUS? Tomemos por tanto a salutar resolução de rever, ao menos no próximo retiro que fizermos, todas as rubricas do Missal e todas as cerimônias sacras, a fim de celebrar com a máxima perfeição possível
E estou certo de que se nós, sacerdotes, celebramos com um exterior grave e recolhido e, sobretudo, com grande fervor, os leigos, de sua parte, hão de decidir-se a assistir diariamente à Santa Missa. E teremos a consolação de ver renascer entre os cristãos de nossos dias o fervor dos primeiros fiéis da Igreja.

E vós, que é que estais fazendo? Por que é que não ides correndo para as igrejas para lá assistirdes fervorosamente a todas as Santas Missas que puderdes? Por que é que não quereis imitar os Anjos que, quando se celebra a Santa Missa, descem do Paraíso em grande número e vêm ficar ao redor do altar em adoração, intercedendo por nós?
E DEUS será soberanamente honrado e glorificado: é esta a única finalidade desta pequena obra. Orai por mim, rezando uma Ave Maria - [Trecho do Livro “As Excelências da Santa Missa” - SÃO LEONARDO DE PORTO-MAURÍCIO – páginas 54-55 / 66-70, 78-82. ]

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Jornada Mundial da Juventude que a mídia não mostrou



A Jornada Mundial da Juventude que a mídia não mostrou


Os dias em que Deus confirmou sua existência para 3,5 milhões de jovens do mundo inteiro
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Quem não pôde participar da Jornada Mundial da Juventude e teve de se contentar com as análises da mídia perdeu aspectos fundamentais desse evento que movimentou o país. É bem verdade que as lentes das câmeras conseguiram alcançar pontos importantes e, muitas vezes, belos da Jornada, mas nenhuma delas foi capaz de atingir o coração da JMJ-Rio 2013. Não obstante o clima de festa ocasionado pelo encontro, o que, de fato, marcou a alma dos jovens foi muito mais que a sensação simplista de uma viagem, mas o toque concreto com todos os artigos da fé que compõem o corpo da Igreja que é o próprio Corpo de Cristo.
A começar pela chegada dos peregrinos ao Rio de Janeiro, o Brasil e as demais partes do planeta puderam experimentar a universalidade da Igreja, desde os alegres cantos africanos à acolhida fraternal do povo carioca. Cada bandeira hasteada na praia de Copacabana revelava a dimensão da Noiva de Cristo que a acolhia e a vigiava de braços abertos de cima do Corcovado. Uma cena que deixou a Cidade Maravilhosa ainda mais... maravilhosa. Dos confins do mundo, aonde chegaram os profetas missionários de outrora, vieram as novas gerações de adoradores do Senhor, cuja única missão, concedida pelo Santo Padre, é ir novamente pelo mundo e anunciar o Evangelho a toda criatura.
O Rio de Janeiro que amargava tristes depredações e padecia sob um clima de guerra civil sem precedentes semanas atrás se convergiu num mar de pessoas que cantava louvores a Deus e pedia a intercessão da Mãe Aparecida. Imagem suficiente para
arrancar lágrimas de policiais e sorrisos de bebês que, mesmo sem compreender concretamente o que lá acontecia, sabiam que era algo santo. O ódio dos protestos dos indignados foi afogado pela amor de Cristo. As profanações de meia-dúzia de coitados foram ofuscadas pela sacralidade de 3,5 milhões de batizados. De filhos do Altíssimo. De pessoas que, como pediu o Santo Padre na cerimônia de sua acolhida, botaram fé na verdade, no caminho e na vida que só se encontram em Jesus.
A Jornada Mundial da Juventude apresentou novamente às nações a pujança da Igreja e a sua capacidade de se renovar. Não, a Igreja não está morta. Pelo contrário, vive e se multiplica para além daqueles que profetizaram seu enterro e que, aliás, já estão enterrados. A história se repete e mais uma vez é a Igreja quem sai vitoriosa. Se em Madrid foram dias em que Deus parecia existir, como confessou o jornalista agnóstico Vargas Llosa, no Rio foram dias em que Ele confirmou sua existência. Diferente do que se viu dias atrás, dessa vez os jovens não saíram às ruas para depredar, mas para construir. E construir em cima da Rocha. E por isso gritavam: Esta é a juventude do Papa! Melhor, dos Papas. De Bento e de Francisco, pois a única ruptura proposta por eles é a ruptura com o pecado, não com a fé de dois mil anos como sugerem alguns teólogos mal intencionados por aí.
Os cantos que tomaram as ruas do Rio de Janeiro ainda encontrarão eco em muitos corações. Naquela praia, onde se celebrou a Missa de envio dos peregrinos, novamente exortou Jesus pela boca do Santo Padre: "Ide pelo mundo e fazei discípulos de todas as nações". E neste momento, em que muitos jovens ainda se encontram em ônibus ou aviões voltando para suas casas, também a cruz de Cristo vai com eles para indicar o caminho da Luz da Fé, a única capaz de conduzir o homem para a salvação eterna, onde as portas do inferno não prevalecerão.
Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O Papa Bento XVI: Relativismo e violência são produto do esquecimento de Deus.

Em audiência com os membros da Comissão Teológica Internacional, o Papa bento XVI explicou que o esquecimento de Deus na sociedade atual leva a uma forma de relativismo que, indevidamente, gera violência. Esta, ao contrário do que afirmam alguns, não deve ser atribuida às religiões monoteístas.

O Pontífice assinalou que “hoje, este mesmo sentido sobrenatural da fé dos crentes leva a reagir com vigor também contra o preconceito segundo o qual as religiões, e em particular as religiões monoteístas, seriam intrinsecamente portadores de violência, sobretudo por causa do argumento de que elas têm a pretensão da existência de uma verdade universal".

"Alguns acreditam que apenas o “politeísmo de valores” garantiria a tolerância e a paz civil seria conforme o espírito de uma sociedade democrática pluralista. Nesta direção, o vosso estudo sobre o tema “Deus Trino, unidade dos homens. Cristianismo e monoteísmo” é de viva atualidade. Por um lado, é essencial lembrar que a fé no Deus único, Criador do céu e da terra, atende às exigências racionais da reflexão metafísica, a qual não é enfraquecida, mas reforçada e aprofundada na Revelação do Mistério de Deus-Trino".

O Papa explicou que "é necessário salientar a forma que a Revelação definitiva do mistério do único Deus toma na vida  e morte de Jesus Cristo, que vai ao encontro da Cruz como “cordeiro conduzido ao matadouro” (Is 53,7). O Senhor dá testemunho a uma rejeição radical de cada forma de ódio e violência em favor do primado absoluto da ágape".

"Se, portanto, na história, houve ou há formas de violência feita em nome de Deus, estas não são atribuídas ao monoteísmo, mas às causas históricas, principalmente aos erros dos homens. Pelo contrário, é o próprio esquecimento de Deus que imerge as sociedades humanas em uma forma de relativismo, que gera inevitavelmente a violência".

Bento XVI ressaltou que "quando se nega a possibilidade para todos de referir-se a uma verdade objetiva, o diálogo transforma-se impossível e a violência, declarada ou oculta, torna-se a regra dos relacionamentos humanos. Sem a abertura ao transcendente, que permite encontrar as respostas às perguntas sobre o sentido da vida e sobre a maneira de viver de modo moral, sem esta abertura o homem torna-se incapaz de agir segundo a justiça e de empenhar-se pela paz".

O Santo Padre manifestou apreço pela mensagem da Comissão Teológica Internacional por ocasião do Ano da Fé que "ilustra bem o modo específico no qual os teólogos, servindo fielmente à verdade da fé, podem participar do esforço evangelizador da Igreja ".

Essa mensagem retoma as questões do documento "A teologia hoje. Perspectivas, princípios e critérios”, publicado no início deste ano. Tomando nota da vitalidade e da variedade da teologia depois do Concílio Vaticano II, este documento pretende apresentar, por assim dizer, o código genético da teologia católica, isso é, princípios que definem a sua própria identidade e, por consequência, garantem a sua unidade na diversidade das suas realizações".

"Em um contexto cultural em que alguns são tentados ou a privar a teologia de um estatuto acadêmico, por causa de sua ligação intrínseca com a fé, ou de prescindir da dimensão crente e confessional da teologia, com o risco de confundi-la e de reduzi-la às ciências religiosas, o vosso documento recorda oportunamente que a teologia é inseparavelmente confessional e racional e que a sua presença dentro da instituição universitária garante, ou deveria garantir, uma visão ampla e integral da própria razão humana".

O Papa assinalou que, entre os critérios da teologia católica, o documento menciona a atenção que os teólogos devem prestar ao "sensus fidelium".
"O Concílio Vaticano II, enfatizando o papel específico e insubstituível que cabe ao Magistério, salientou, no entanto, que todo o Povo de Deus participa na função profética de Cristo, realizando assim o desejo inspirado, expresso por Moisés: “Prouvera a Deus que todo o povo do Senhor profetizasse, e que o Senhor lhe desse o seu espírito!”", disse o Santo Padre.

"Este dom, o sensus fidei, constitui no crente uma espécie de instinto sobrenatural, que tem uma conaturalidade vital com o mesmo objeto da fé. Observamos que propriamente os simples fiéis carregam em si esta certeza, esta segurança do sentido da fé. O sensus fidei é um critério para discernir se uma verdade pertence ou não ao depósito vivo da tradição apostólica".

"Para este efeito, o texto esclarece os critérios para uma teologia autenticamente católica e, portanto, capaz de contribuir com a missão da Igreja, com o anúncio do Evangelho a todos os homens. Em um contexto cultural em que alguns são tentados ou a privar a teologia de um estatuto acadêmico, por causa de sua ligação intrínseca com a fé, ou de prescindir da dimensão crente e confessional da teologia, com o risco de confundi-la e de reduzi-la às ciências religiosas, o vosso documento recorda oportunamente que a teologia é inseparavelmente confessional e racional e que a sua presença dentro da instituição universitária garante, ou deveria garantir, uma visão ampla e integral da própria razão humana".

O Papa ressaltou ademais que "Se o fracasso do relacionamento dos homens com Deus traz em si um desequilíbrio profundo nas relações entre os próprios homens, a reconciliação com Deus, feita pela Cruz de Cristo, “nossa paz” (Ef 2,14), é a fonte fundamental da unidade e da fraternidade”.

“Nesta perspectiva, coloca-se também a vossa reflexão sobre o terceiro tema, aquele da doutrina social da Igreja no contexto da doutrina da fé. Essa confirma que a doutrina social não é uma adição extrínseca, mas, sem esquecer a contribuição de uma filosofia social, recebe os seus princípios básicos nas próprias fontes da fé”.

“Tal doutrina procura tornar efetivo, na grande diversidade das situações sociais, o mandamento novo que o Senhor Jesus nos deixou: “Como eu vos amei, assim amais também vós uns aos outros”".

“Rezemos à Virgem Imaculada, modelo de quem escuta e medita a Palavra de Deus, que vós recebais a graça de servir sempre alegremente a inteligência da fé em favor de toda a Igreja. Renovando a expressão da minha profunda gratidão pelo vosso serviço eclesial, asseguro-vos a minha constante proximidade na oração e concedo de coração a todos vós a Benção Apostólica", concluiu o Pontífice.


Por: ACI Digital

domingo, 4 de novembro de 2012

DOCUMENTÁRIO - Mártires e Santos da Igreja Católica - Discovery Channel


"Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pelo seu amigo"Jo 15:13.
Santos Mártires da Igreja Católica.
§2473 O martírio é o supremo testemunho prestado à verdade da fé; designa um testemunho que vai até a morte. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Dá testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã. Enfrenta a morte num ato de fortaleza.

Veja este documéntario sobre os Santos Mártiresfeito pelo Discovery Channel :



(349). É Ele que conduz a Igreja pelos caminhos da missão. E esta «continua e prolonga, no decorrer da
história, a missão do próprio Cristo, que foi enviado para anunciar a Boa-Nova aos pobres. É, portanto, pelo mesmo caminho seguido por Cristo que, sob o impulso do Espírito Santo, a Igreja deve seguir, ou seja, pelo caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação de si mesma até à morte – morte da qual Ele saiu vitorioso pela ressurreição» (350). É assim que «o sangue dos mártires se torna semente de cristãos» (351).

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

MILAGRE ATRAVÉS DO ROSÁRIO EM MEIO A UMA EXPLOSÃO NUCLEAR EM HIROSHIMA EM 1945 (VÍDEO)



Por que Nossa Senhora insiste tanto na Oração do Rosário? Saiba agora.

VEJA O VÍDEO ABAIXO:


 
MAIS DETALHES:


Em 1945 os americanos lançaram a bomba atômica sobre duas cidades japonesas: Nagasaki e Hiroshima. Nesta última,
num raio de um quilômetro e meio do centro da explosão, ficou tudo arrasado e todos os habitantes morreram carbonizados. A casa paroquial, com oito moradores jesuítas, que distava apenas 800 metros da explosão, ficou de pé e os
seus moradores ficaram ilesos.
O Pe. Hubert Shiffer era um deles e tinha então 30 anos. Depois viveu mais 33 completamente com saúde e nenhum dos moradores da casa sofreu as conseqüências da radioatividade. Ele contou a sua experiência no Congresso Eucarístico da Filadélfia (EUA) em 1976. Então todos os membros daquela comunidade ainda viviam.


O Pe. Shiffer foi examinado e interrogado por mais de 200 cientistas e não puderam explicar como, no meio de milhares de mortos, ele e seus companheiros tinham podido sobreviver. O Pe. Shiffer afirmou que centenas de cientistas e pesquisadores por vários anos continuaram a investigar por que a casa paroquial não foi atingida quando tudo ao redor ficou arrasado. E o padre explicou, dizendo: "Naquela casa se rezava todos os dias, em comum, o Santo Rosário. Por isso, foi protegida por Nossa Senhora".


domingo, 1 de abril de 2012

A Semana Santa: simbolos e significado - Escrito da Ir. Ili Alves.

 
A Igreja propõe aos cristãos os sagrados mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Filho de Deus, tornado Homem, para no martírio da Cruz e na vitória sobre a morte, oferecer a todos os homens a graça da salvação.



Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos dá início à Semana Santa e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus.A Igreja recorda os louvores da multidão cobrindo os caminhos para a passagem de Jesus, com ramos e matos proclamando: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38; Mt 21, 9). Com esse gesto, portando ramos durante a procissão, os cristãos de hoje manifestam sua fé em Jesus como Rei e Senhor.


Quinta-feira Santa

Celebramos a Instituição do Sacramento da Eucaristia. Jesus, desejoso de deixar aos homens um sinal da sua presença antes de morrer, instituiu a eucaristia. Na Quinta-feira Santa, destacamos grandes acontecimentos são eles a Bênção dos Santos Óleos, Instituição da Eucaristia e a Cerimônia do Lava-pés :


Bênção dos Santos Óleos

Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos. Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de

sexta-feira, 23 de março de 2012

Intercessão dos Santos e a Dulia, Hiperdulia e Latria.


Os santos podem interceder por nós?
Eles estão dormindo?
O que é uma veneração?
A primeira coisa que devemos conhecer antes de discutirmos a intercessão dos venerados santos, é os três graus existentes de culto.
Dulia, Hiperdulia e Latria
A dulia 

é a veneração propriamente dita, é reconhecer alguém como superior a você e sendo ao mesmo tempo inferior a Deus, um exemplo claro de dulia nós podemos ver no final das orações dos santos, por exemplo:
São Paulo rogai por nós, ora essa frase curtíssima exprime toda doutrina da dulia, justamente porque o orante se põe inferior diante de São Paulo e ao mesmo tempo reconhece que São Paulo não é dono da graça, já que o mesmo tem que supliciá-la à Nosso Senhor.
O Segundo grau do culto católico é a 
hiperdulia.
A hiperdulia é uma veneração só que em grau muito maior à dulia e ao mesmo tempo infinitamente inferior à latria. A única diferença neste grau em relação ao primeiro é a dignidade, já que o mesmo é dado a Maria Santíssim,a aquela que foi é e sempre será cheia de graça, e chamada de bendita entre as gerações.
Entre todos os santos nenhum foi mais puro, benevolente, obediente do que a Santa Mãe de Deus.

O terceiro grau é a latria:
Latria é a adoração, que só é devida à Nosso Senhor nas três pessoas da santíssima trindade, esta adoração é dada em espírito e em verdade através do cumprindo do primeiro mandamento católico que é amar a Deus sobre todas as coisas.
Devemos tomar cuidado para não confundir essa adoração com simples gestos externos, como ajoelhar-se, pois Jacó
ajoelhou-se diante de sei irmão sete vezes e não estava adorando-o, mas apenas prestando honra, não queremos dizer com isso que esse gesto não deva ser praticado, mas não pode ser confundido como o selo da autenticidade do verdadeiro adorador ou de um idolatra.
Nós iremos meditar a partir do olhar da sagrada escritura e dos primeiros cristãos a doutrina da intercessão dos santos.
São Tiago ao transcrever sua carta, deixa-nos claro que devemos orar uns pelos outros:]
“Orai uns pelos outros, para serdes salvos, porque a oração do justo, sendo fervorosa, pode muito” (Tgo 5, 16)”
E Jesus nos manda:“… Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem!” (MT 5, 44) 
São Paulo diz que “orava pelos colossenses” (cf. Col. 1, 3).
Jesus quer que oremos pelos outros, o que nos resta saber se essa mesma intercessão dos justos continua a valer após a morte, porque estão vivos e acordados com Deus ou estão “dormindo” como afirmam as seitas.
Na parábola que se encontra no evangelho de São Lucas do “rico avarento”, o rico pedia após sua morte, para voltar à terra e avisar os seus amigos que se convertessem… (Lc 16, 19 e ss) no versículo 27 ele diz: “… ‘Pai, eu te suplico, manda então Lázaro à casa de meu pai” Os hereges dizem que é impossível interceder após a morte, seria o evangelho de São Lucas herege? É evidente que o rico intercedia após a morte, justamente porque “Ele é Deus não de mortos, mas de vivos, pois todos vivem para ele” (São Lucas 20, 38)”
A suposta sonolência até o dia da ressurreição é uma heresia que Cristo desmente ao dizer ao ladrão:
“… “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso” (São Lucas 23,43), Será que Nosso Senhor estava enganado?, ou terá Ele uma cama para o ladrão dormir no paraíso?
No antigo testamento a bíblia já dava indicio da intercessão dos venerados santos. O primeiro testemunho da bíblia dessa doutrina encontra-se no livro do profeta Jeremias:
“E o Senhor disse-me: ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, a minha alma não se inclinaria para este povo;tira-os da minha face e retirem-se” (Jer 15, 1).
Samuel e Moisés estavam mortos no tempo de Jeremias, como poderiam interceder?
Como sabemos os hereges virão com aquele versículo decorado de sempre:
“Mediador entre Deus e os homens” Essa é uma das maiores provas que os hereges só sabem decorar meia dúzias de versículos , já que na mesma carta se diz:
  1.  Antes de tudo, peço que se façam súplicas, orações, intercessões, ação de graças, por todas as pessoas,
  2.  pelos reis e pelas autoridades em geral, para que possam levar uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e dignidade.
  3. Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador.
  4. Ele quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.
  5. Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e a humanidade: o homem Cristo Jesus,
Nós católicos também cremos que só existe um mediador entre Deus e os homens, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, mas cremos também que os santos são contados como membros da Igreja, que é verdadeiramente o corpo de Cristo, isso explica o porquê da Sagrada escritura dar o título de mediador também a Moisés :
“Eu fui naquele tempo intérprete e mediador entre o Senhor e vós”.(Dt 5, 5)
E de admitir na carta na carta de São Tiago (que acabamos de ler) mediadores secundários.
Os que assistem esse vídeo não se surpreendam com os ataques que virão posteriormente dos protestantes, logicamente os mesmos tentarão provar através de clichês que :
“Os santos não são onipresentes ,logo não podem atender tantos pedidos de intercessão ao mesmo tempo e outros que seguem a mesma linha de raciocínio.”
Ora o tempo após morte é totalmente diferente do cronos, o que conhecemos, pois o tempo cronológico é medido do deslocamento entre uma ação até seu termino, por exemplo:
O dia tem 24horas, isso ocorre porque a Terra ao girar em torno de si mesma no movimento de translação está fazendo que a posição da luz do sol mude. Mas como podemos ver esse deslocamento prevê um começo, meio e fim. Ora a eternidade não possui nenhuma dessas características.
Essa explicação da eternidade protestante é desonesta e ironicamente põe freios e limites na eternidade, os protestantes têm muito a explicar sobre como chegaram à brilhante conclusão de uma eternidade com começo, meio e fim.
E os primeiros cristãos acreditavam no que?
S. Clemente que viveu no primeiro século cristão diz:
“Os que suportaram com confiança, herdaram glória e honra; foram exaltados, e Deus os inscreveu no seu memorial pelos séculos dos séculos. Amém” (S. Clemente de Roma, aos Coríntios, n. 45.8)
Orígenes, pelo ano 250 d.C., afirmava que:
“virtudes nesta vida são definitivamente aperfeiçoadas no além. Ora, a mais valiosa de todas é a caridade; esta, portanto, na outra vida é ainda mais ardente do que na vida presente. Por conseguinte, os santos exercem seu amor sobre os irmãos na terra, mediante a intercessão dirigida a Deus em favor das necessidades destes peregrinos”
Santo Inácio, já no ano 107 d.C., – na iminência de seu martírio – escreveu: 
“Meu espírito se sacrifica por vós, não somente agora, mas também quando eu chegar a Deus”(Santo Inácio de Antioquia, tralianos, n. 13,3)
Essas citações já tiram outra mentira dos hereges, que a intercessão dos santos foi criada no século quarto pela famosa “pagazinazação do cristianismo”
A pergunta que nos fica é: Porque Lutero e Calvino são superiores aos primeiros cristãos?
Fonte : Site Santa Igreja 

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